Gaby Amarantos, a diva do tecnobrega

Conheça Gaby Amarantos, a diva do tecnobrega / Créditos: Aldridge Neto
Conheça Gaby Amarantos, a diva do tecnobrega / Créditos: Aldridge Neto
Por MAURÍCIO MORAES
Gaby Amarantos tem estilo e não tem receio de mostrar sua identidade. A diva do gênero musical tecnobrega não é nada discreta em seus looks, e é isso é o que mais amamos! A Beyoncé do Pará, aos 33 anos, está super na moda. Sua música “Ex Mai Love” é trilha sonora da novela “Cheias de Charme”, da Rede Globo. Seu estilo inconfundível e suas maquiagens exageradas e lindas inspiraram a cantora Chayene, personagemvivida pela atriz Cláudia Abreu.
Talvez a Primeira Comunhão tenha sido uma das poucas vezes na vida em que a diva usou vestido branco. Gaby, aliás, não é nada discreta em seus looks porque é com eles que reúne multidões num estalar de dedos. E confessa: sempre gostou de aparecer. "Quando era criança fui miss caipira na escola, fazia desfile de moda. Claro que era sempre a primeira a desfilar, né? Queria todo mundo olhando para mim", diz a cantora.
O bairro também era "lugar de traficante, de prostituta, de gays e de gente boa". Gaby ainda vive por lá, mas passa cada vez menos tempo na casada mãe. Circula mais pelo eixo Rio-São Paulo e não se aguenta de felicidade.

Do Brasil para o mundo
O Brasil inteiro já a conhece Gaby. Seu estilo tecnobrega, segundo os críticos, está ajudando a revolucionar a música brasileira. A fama nacional veio com a canção Hoje Eu Tô Solteira, um remix de Single Ladies. A música correu a Internet que ela foi chamada para programas de TV e pronto: virou a "Beyoncé do Pará". Gaby, aliás, já alçou voos maiores ao serassunto no tradicional jornal britânico “The Guardian” e matéria na badaladíssima revista de moda “Vogue”.
Contrariando a lógica da indústria fonográfica, Gaby ficou famosa ao distribuir seus CDs para os camelôs fazerem cópias piratas e tocarem alto nas barraquinhas. Tudo para suas músicas grudarem no ouvido dos paraenses. "Eu sempre assumi o tecnobrega. Acho o nome incrível. Eu sou brega. É a minha moda, meu estilo de vida, minha atitude", diz. Com ela, o brega virou cult, ficou chique.
Hoje, a cantora se prepara para o sucesso internacional. Virou musa do documentarista francês Vicent Moon (o mesmo que trabalhou com bandas famosas internacionais, como o R.E.M.), que foi a Belém gravar um de seus shows. Também emprestou sua voz para uma versão "brega" de Águas de Março, recém-lançada na Europa, e elogiada por críticos como Nélson Motta.
Brega com orgulho!
Vamos voltar no tempo. O ritmo musical conhecido como brega nasceu na periferia, lá nos tempos da Jovem Guarda, e foi batizado assim pela elite de Belém que torcia o nariz para o ritmo meloso e dançante. Gaby, moderna do jeito que é, sem medo de preconceito, ajudou a criar o tecnobrega, mistura do ritmo com balada eletrônica. Viciada em internet, "adora o Twitter" e ficou famosa ao distribuir seus CDs para os camelôs fazerem cópias piratas, tocarem alto nas barraquinhas e, assim, suas músicas grudarem no ouvido dos paraenses.
Com toda essa ginga, a diva do tecnobrega driblou a indústria de discos e caiu nas graças do povo. "Eu sempre assumi o tecnobrega. Acho o nome incrível. Eu sou brega. É a minha moda, meu estilo de vida, minha atitude", diz. Com ela, o brega virou cult, ficou chique. Em seus shows, o povo vibra de verdade. "É que no tecnobrega a gente treme, bate o cabelo", afirmou a diva que, durante a entrevista, vestia calça de oncinha e jaqueta colorida enquanto esperava o ensaio para um show no Auditório do Ibirapuera, em São Paulo.
E por adorar "bater o cabelo", típica gíria gay, Gaby também virou musa dos travestis. Mas não só deles. "Eu consigo transitar pelo público gay, mas pelo infantil também. As crianças adoram minha roupa colorida. Eu faço show para o povão e para os moderninhos". Simpática e falante, ela canta em "festival de rock, em bares da periferia e em casa de música eletrônica".

Preconceito da "elite"
Nem tudo, porém, são risadas. A cantora reclama de preconceito da "elite". "Passei por uma situação difícil em um clube de alta sociedade paraense, já faz um tempo. Foi numa apresentação junto com uma banda do Rio (o Monobloco). Infelizmente, não pude terminar meu show. Foi uma situação que me deixou muito reprimida por ver o tamanho do preconceito das pessoas", afirmou. Nesse dia, Gaby foi hostilizada pela plateia.
Questionada se se sente magoada, Gaby disse que "muitas pessoas ainda não entendem as deficiências da forma de produção dessa música". "Muitas vezes ela é produzida por DJs que não são músicos, mas que expressam da sua maneira a alegria que vem da periferia". Ela acredita que as festas de aparelhagem às vezes "assustam porque as pessoas se divertem de maneira livre. É uma forma autêntica e marginal".
Os frequentadores também têm atitudes que são vistas como agressivas, "como encher uma piscina com latinhas de cerveja e mergulhar dentro dela, ou subir nos ombros uns dos outros e, mais, fazer simbologias com as mãos que às vezes são confundidas com as de facções criminosas, coisa que não tem nada a ver". Ela garante que os símbolos são apenas as iniciais das aparelhagens.
Príncipe encantado? Para quê?
Solteira, Gaby garante que só tem um único homem na vida: Davi, de 3 anos, fruto de um "relacionamento rápido". O pai sumiu no mundo quando soube da gravidez. Ela, porém, não se importa. "Estou tão embalada com minha carreira que nem tenho vontade de fazer sexo", disse. Mas logo avisa: "Não sou assexuada. Adoro fazer amor, mas as mulheres precisam entender que não precisam ter homem para ter felicidade. Antes de tudo, tem de gostar de si e ser feliz com a gente mesma".
Quando questionada se não espera um príncipe encantado, Gaby é rápida na resposta: "Olha, eu já até sonhei com príncipe encantado. E sofri muito na masmorra de Rapunzel. Mas aí eu resolvi fazer diferente. Peguei o cavalo do príncipe, montei e fui conhecer o mundo".
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Comente com o Facebook: